sábado, 7 de novembro de 2009

Vazio no Peito

Sinto o Outono a chegar,
enquanto o que há de bom em mim murcha,
e dá lugar às noites frias e escuras do Inverno





Incrível como já passou quase um ano desde que vos comecei a deixar as minhas mensagens e pensamentos. Puderam acompanhar os meus altos e baixos, as minhas alegrias e tristezas, os meus valores e crenças, quase como se este blog fosse um resumo do meu diário. Seria natural que, ao longo deste ano, eu tivesse feito progressos! Cresci, acabei a faculdade, comecei a trabalhar. Mas por dentro, bem fundo, estou igual, ou se calhar, até pior. Sinto-me a retroceder e não a avançar. Por isso mesmo, decidi chamar a este post "Vazio no Peito".

Se tivesse de descrever por palavras o que sinto neste momento, não conseguiria. É um estado de espírito tão negro, tão sombrio, que se tornou físico. Tenho um ardor na alma, uma gaiola no peito. É como se algo estivesse cravado no meu peito, uma mão, que tenta, a todo o custo, arrancar-me o pouco que resta do meu esburacado coração. Aos poucos, têem-me tirado a alma. Vivi sempre de acordo com o que "era melhor para mim" e não de acordo com o que desejava: perdi a alma, perdi a felicidade genuína. E agora, alguém me arranca o que resta do meu coração. Sim, porque parte dele já me foi arrancada. Está despedaçado, partido, esburacado. E agora, tenho uma mão, dentro do meu peito, que me magoa a todos os instantes, não me deixa dormir e não descansa, enquanto não arrancar o pouco que me resta. Os olhos ardem-me, as mãos tremem, o nervosismo inunda cada parte do meu ser.

Ontem, por instantes, achei que me ia sair o Euromilhões (acabei por não ganhar nem 1€). E incrivelmente, estava super bem disposta a pensar: vou comprar o meu próprio teatro, produzir as minhas peças, ser a proxima La Feria! E assim, serei feliz. Que parvoíce a minha!


A coisa que mais me mete medo no mundo não é a pobreza: é o vazio. Não quero ter o peito vazio no lugar onde devia estar o coração. Um dia, um bom amigo disse-me
"Tu já mais serás pobre, porque em espírito, já não o és". Mas e se perder o que resta de mim? Nao quero perder o amor, o desejo, a alegria. E sinto tudo isso cada vez mais distante de mim. Estou a afundar-me, cada vez mais fundo, num mar escuro e assustadoramente vazio.

Não consigo deixar de pensar no mundo como um lugar injusto e isso, devora-me o ser.

5 comentários:

António Valério,sj disse...

Acredita que os nossos momentos vazios darão lugar a acontecimentos que nos preencherão cheios de surpresa. Não desistas e recorda a história do Bem na tua vida. Força, estou contigo. beijinhos!

micha disse...

Gosto que não fujas do sentimento. Um sentimento que é partilhado, em algumas fases de vida, por todas as pessoas que procurem uma vida verdadeira. (Claro que não tenho inveja..)

As vezes é bom realativizar o "eu" e:

Atenção a quem te estende a mão.

Atenção a quem tu possas estender a mão.

E ... há quem acredita profundamente em ti. :)

Liliana Vieira disse...

Não permitas que o teu ser seja devorado.
Mantém-te forte.
Apaixona-te pela vida.
Apaixona-te por tudo o que te rodeia...

Faz o favor de ser feliz.

Augusto Biffi disse...

Cheguei até seu blog, procurando no google para entender esta dor em meu peito, te entendo perfeitamente, e se serve de consolo, seu desabafo me serviu de conforto ao meu coração.

Força! E vamos a luta para não sermos derrubados!

Janaína disse...

Igual ao Augusto que fez o comentario anterior cheguei ate esse blog proucurando no google alguma coisa que pudesse me explicar o porque desse vazio que sinto no peito. Apesar de não ter achado o que proucurava (pois não é facil falar sobre isso) achei muito mais: achei pessoas que passam pelas mesmas coisa e como eu chegam a não saber o que fazer.
Adorei esse blog vou passar por aqui mais vezes.
Beijos