quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sofrimento por Osmose



Há muitos tipos coração: os que são frios, os que são moles, os que são pesados, os que são apertados, os que são manteiga.




Os corações frios, escondem tudo. Fingem não sofrer com os seus problemas e dos problemas dos outros, nem têm paciência para ouvir falar.
Os corações apertados e de manteiga são sofredores e sensíveis. Sofrem, sentem, vivem mas com muita mágoa... por vezes mágoa a mais. E nunca há descanso. Coisas boas acontecem, festeja-se durante cinco minutos mas depois!, volta-se à preocupação de sempre: será que correu mesmo bem? Não estou a festejar antecipadamente? E os meus outros problemas todos? Se calhar devo preocupar-me agora com eles. E o coração nunca tem descanso.
Apesar de tudo isto, estes corações são bons. Sofrem não só por si mas pelos outros. E, não importa a maior alegria do mundo, se alguém ao nosso lado está a sofrer e não sabemos como ajudar. E às vezes uma palavra e um gesto não bastam. O que fazer então? Gostava de ter uma resposta concreta, científica mas os sentimentos humanos são algo que, para mim, vão muito além da química.
O sofrimento faz parte da vida e é graças a estes momentos que, quando a verdadeira alegria chega, se consegue saborear a vitória e a excitação de alcançar um objectivo.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Reflexo


Todos gostariam de ser algo que não são, ter algo que não têm. É inevitável. Ninguém é perfeito. Compete-nos a nós conseguir sair da concha e voar. Embora nem sempre dependa de nós: obrigações, deveres, medo de desilusão são todos factores que nos levam a ficar na concha, demasiado confortáveis mas ainda assim, infelizes.

A pequena sereia queria sair do mar e conhecer o mundo dos humanos, a Bela queria sair da pequena aldeia onde vivia e entrar numa história de príncipes encantados, a Mulan queria dar um sentido à vida maior do que se conformar em honrar os pais.
Penso que muito se pode tirar de histórias infantis e eu que, certamente, cresci com elas, encontro uma parte de mim em cada personagem.

O que quero dizer é: o conforto não compensa se não houver vontade de viver cada dia quando o despertador toca; O dinheiro não tem valor se não houver maior ambição: ambições humanas, solidárias!; E o medo de desiludir os outros não compensa quando todos os dias nos sentimos desiludidos connosco mesmos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

AVATAR - Pocahontas


Quando falei em ir ver o AVATAR (a nova revelação cinematográfica), uma colega minha disse-me: Gostaste da Pocahontas? É igual!

E na verdade, o AVATAR não passa da mesma história já recontada inúmeras vezes: a história da humanidade (infelizmente cada vez mais negra). A necessidade de querer sempre mais mas, em vez de se querer mais espiritualmente, os homens cada vez querem mais materialmente. São inúmero os episódios ao longo da história em que os homens puseram a riqueza à frente da vida (basta lembrar o tempo da escravatura: tanto do povo africano como dos índios) e assim continuará a ser. Infelizmente.
Claro que este filme tem um final feliz, mas receio que no mundo real, ele não viesse a acontecer.

Durante toda a história, é enfatizada a importância da ligação entre toda a natureza: as árvores, os animais, e os habitantes. Senti mesmo pena de cada vez haver menos pessoas no mundo capazes de perceber esta ligação. Só porque o ser humano não tem tranças compridas que se ligam à relva ou a pássaros gigantes, não quer dizer que não possamos compreender e sentir a simbiose entre todas as coisas.
Mas é bem mais interessante matar um elefante e ganhar umas notas com a venda do marfim, do que torná-lo companheiro fiel de vida...
Tenho mesmo pena ... e como chorona que sou, acho que me tive mesmo de aguentar para não deixar cair uma lágrima de desilusão pela humanidade.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Seasons of Love

525 600 minutes
525 600 moments so dear
525 600 minutes
How do you measure, measure a year?

In daylights, in sunsets,
in midnights, in cups of coffee?
In inches, in miles
in laughter, in strife?

525 600 minutes
How do you measure a year in the life?

How about Love?
Measure in love!
Seasons of love!

525 600 minutes
525 600 journeys to plan
525 600 minutes
How do you measure the life of a woman or a man?

In truth that she learned?
or in times that he cried?
In the bridges he burned?
or the way that she died?

Its time now to sing out
though the story never ends!
Lets celebrate remember a year
in the life of friends!

How about Love?
Measure in love!
Seasons of love!

Quem me conhece, sabe que sou uma fã, literalmente fanática, de musicais. Se tivesse nascido nos Estados Unidos, seria uma daquelas desgraçadas, no fundo da "cadeia alimentar" escolar ! Mas uma desgraçada orgulhosa!

Os musicais têm um pouco de tudo: alegria, tristeza, revolução, raiva, amor!
E assim, deixo-vos hoje uma música de um vencedor da Broadway: Rent.

É bom reflectir sobre o quão relativo é o tempo. Passa rápido quando não se quer e quando se quer, passa devagar. E o tempo é assim tão importante? Marcações, horários, prazos, limites!
Às vezes, deixamos de ligar ao que é realmente importante. E por que não medir um ano em viagens ou risos ou dias de sol? Ou Amor?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo. Vida Nova? (É desta?)







Ora bem... como sabem eu não gosto de passagens de ano. E não gosto mesmo! Este ano não foi excepção. O dia 31 voltou a ser um dia doloroso (de certa forma compensado pela distracção do trabalho que não deixei de fazer), e a noite ainda pior! Por mais que seja "só mais um dia" (porque o é mesmo), não deixa de ser o último dia do ano e eu não consigo ignorar todo o significado que representa. O fim de uma etapa, de um ciclo, de uma história. E eu não gosto de despedidas, nunca gostei e sou uma chorona. Portanto, custou! Custou mesmo muito.

MAS!

Mas! Ao contrário dos outros anos em que parte da minha depressão era também provocada pelo facto de o fim de ano ser uma altura de mudança e nada mudar na minha vida, este ano acordei com um sorriso nos lábios na primeira manhã do novo ano. Porque este ano sim, irá haver mudança. Aproxima-se o fim de uma fase, e o início de outra. Se tudo correr bem, a faculdade estará para trás das costas daqui a dois meses e finalmente iniciarei a minha vida no mercado de trabalho. Portanto, é uma grande mudança, e estou feliz por vir a acontecer!
Gostava de especificar mais sobre o tema, mas eu tenho algumas "superstições pessoais" (inventadas por mim quase, nada a ver com gatos pretos ou escadotes) e tenho medo de espalhar uma boa notícia que depois, por algum motivo, não se venha a verificar. Portanto daqui a mês e meio cá estarei a contar a nova etapa da minha vida!

De resto, desejo a todos um excelente ano! Cheio de mudanças boas, porque as mudanças dependem sobretudo de nós e compete-nos faze-las acontecer!


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal


Amigos,

Desta vez, não vou escrever um testamento zangado. Decidi que o Natal é demasiado bom para me deixar influenciar por opiniões pouco conhecedoras.
Desta forma, venho desejar-vos um excelente Natal, com tudo o que lhe deveria estar associado: paz, amor e harmonia. Que Jesus possa renascer nos vossos corações!

Deixo-vos com uma música do filme "Mickey's Christmas Carol", uma versão animada do conto de Charles Dickens que me lembro de ver desde muito pequena.

Feliz Natal a todos

Mariana

sábado, 21 de novembro de 2009

Sentir Novo

Tenho um sentir novo
Um vazio na memória para encher
Com uma história.

De bruxos e Dragões
E uma linda princesinha
A encher-me de ilusões...

De cavaleiros andantes

Que correm por um sonho

Em terras distantes
Para além do tempo.

Por: Diogo Carneiro, Lúcia Ribeiro


Barreiras são criadas e muralhas erguidas. O peito fechado, a cabeça bloqueada, e assim se sobrevive. Fechada às emoções, aos sentimentos, aos acontecimentos. Tudo por medo. Não é saudável. A vida dói, bate, dá pontapés. Justifica, o medo, tudo isto? Preparar o coração para o que vem de mau, dizem. Se já se estiver a contar com o pior, não dói tanto. Mas eu começo a acreditar no karma: tanto acredito no pior, que o que é bom vai deixando de acontecer.
Nada justifica, então. Abrir portas, abrir ideias, abrir mentalidades. Mesmo que tudo falhe, mesmo que a noite desça, mesmo que o sol se ponha. Porque um dia, sei que, se acreditar no que é bom, coisas boas vão acontecer .

A vida é um constante treino, uma preparação para o dia seguinte, a hora seguinte, o minuto, o segundo. E se perder demasiado tempo a fugir, nunca vou estar pronta, e o climax da minha vida nunca chegará.


Entretanto, vou sonhando com elfos, dragões e bruxas. Vou esperando pelo dia em que vou voar.

E pelo menos ... já fui princesa por um dia.






sábado, 7 de novembro de 2009

Vazio no Peito

Sinto o Outono a chegar,
enquanto o que há de bom em mim murcha,
e dá lugar às noites frias e escuras do Inverno





Incrível como já passou quase um ano desde que vos comecei a deixar as minhas mensagens e pensamentos. Puderam acompanhar os meus altos e baixos, as minhas alegrias e tristezas, os meus valores e crenças, quase como se este blog fosse um resumo do meu diário. Seria natural que, ao longo deste ano, eu tivesse feito progressos! Cresci, acabei a faculdade, comecei a trabalhar. Mas por dentro, bem fundo, estou igual, ou se calhar, até pior. Sinto-me a retroceder e não a avançar. Por isso mesmo, decidi chamar a este post "Vazio no Peito".

Se tivesse de descrever por palavras o que sinto neste momento, não conseguiria. É um estado de espírito tão negro, tão sombrio, que se tornou físico. Tenho um ardor na alma, uma gaiola no peito. É como se algo estivesse cravado no meu peito, uma mão, que tenta, a todo o custo, arrancar-me o pouco que resta do meu esburacado coração. Aos poucos, têem-me tirado a alma. Vivi sempre de acordo com o que "era melhor para mim" e não de acordo com o que desejava: perdi a alma, perdi a felicidade genuína. E agora, alguém me arranca o que resta do meu coração. Sim, porque parte dele já me foi arrancada. Está despedaçado, partido, esburacado. E agora, tenho uma mão, dentro do meu peito, que me magoa a todos os instantes, não me deixa dormir e não descansa, enquanto não arrancar o pouco que me resta. Os olhos ardem-me, as mãos tremem, o nervosismo inunda cada parte do meu ser.

Ontem, por instantes, achei que me ia sair o Euromilhões (acabei por não ganhar nem 1€). E incrivelmente, estava super bem disposta a pensar: vou comprar o meu próprio teatro, produzir as minhas peças, ser a proxima La Feria! E assim, serei feliz. Que parvoíce a minha!


A coisa que mais me mete medo no mundo não é a pobreza: é o vazio. Não quero ter o peito vazio no lugar onde devia estar o coração. Um dia, um bom amigo disse-me
"Tu já mais serás pobre, porque em espírito, já não o és". Mas e se perder o que resta de mim? Nao quero perder o amor, o desejo, a alegria. E sinto tudo isso cada vez mais distante de mim. Estou a afundar-me, cada vez mais fundo, num mar escuro e assustadoramente vazio.

Não consigo deixar de pensar no mundo como um lugar injusto e isso, devora-me o ser.

sábado, 10 de outubro de 2009

Luta Diária

Ultimamente tenho lutado muito pela minha sanidade mental. É mesmo complicado viver sobrevivendo.

É fácil falarmos dos problemas dos outros "Não te preocupes, vai ficar tudo bem", mas é difícil ouvir os outros a subvalorizarem os nossos problemas. Por mais que me queiram fazer ver que "há sempre gente pior", isso não significa que os meus problemas não sejam importantes e não me façam sofrer.

Mas quando o buraco se vai tornando mais fundo, as paredes mais escorregadias, é fácil perder a esperança. Vejo a luzinha desaparecer e a escuridão preencher a alma: tudo foge, tudo ilude, tudo cai por terra. Perco a força, sento-me, ponho a cabeça entre os joelhos, fecho os olhos. Deixo-me envolver pelo escuro. Descanso. Espero um pouco, tento aquecer o coração.

Mais tarde, tento de novo. E quando abrir os olhos, quando levantar a cabeça, espero ver a luz bem perto de mim, o buraco bem menos fundo e uma mão à superfície que me ajude a sair.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Campinácios



Para quem não sabe o que são os Campinácios, passo a explicar: os Campinácios sao acampamentos de Verão organizados pelos colégios de Jesuítas para crianças que frequentem esses mesmos colégios.


Então, mais uma vez, lá fui eu de mala às costas animar um campo de Trotinetas (7º e 8º anos).


Apesar do cansaço imenso, das poucas horas de sono e do stress inerente a qualquer actividade que envolva adolescentes, é tão gratificante ver como 41 crianças evoluem ao longo de 10 dias.
Sem telemóveis, televisão, ou computador, o essencial torna-se mais óbvio!


Entram entusiasmados, cheios de vontade de viver, e saem mais humanos, mais sensíveis, mais únicos!
Fazem novos amigos, aprendem novas coisas, descobrem mais de si! E tenho a certeza de que, por tudo isto, serão melhores pessoas!